Vodum o Homem e o ” Joto “

sombra

A religiosidade se manifesta num homem através do fenômeno Vodum,a motivação para que ele faça e use símbolos que representem seu Vodum. Além disso os homens dizem que Vodum é um mistério, é o inefável quando se concentram nos elementos naturais, é o extraordinário, o herói e o poderoso em questões de existência humana. Enquanto o homem não conhece o nome de seu Vodum, ele o chama de“nu me sen”o venerável o adorado) Isso durante o princípio de sua iniciação no culto. Depois de identificado o Vodum, o homem passa a ser dominado por ele. Doravante nenhum aspecto da vida do homem acontece sem que seu Vodum saiba e participe. O Fá, mensageiro do Vodum, intervém enquanto a criança está no útero materno. Identifica o destino e se necessário, o altera. Semelhante a todos os nascimentos e através das situações existentes, Fá participa das iniciações dos Voduns. Curiosamente e paradoxalmente Vodum não acompanha seu iniciado na morte física. No enterro de um vodunsi são feitos rituais para remover o Vodum do morto. Aqui encontramos dois significados importantes:
1)O Vodum toma conta dos vivos e não dos mortos.
2)Vodum é um intermediário entre seu iniciado e Mawu e, quando ocorre a morte física, Vodum volta para Mawu.

Como princípio de mediação, Vodum tem um papel importante na organização da sociedade humana. Agbasa-Yiyi (sala da vida) O agbasa-yiyi é de suma importância na vida do povo Fon. É o primeiro de uma série de três rituais de iniciação ao culto Fá.
Meninos e meninas podem ser iniciados até a segunda etapa do culto, porém somente os homens poderão chegar à terceira etapa. A cerimônia do agbasa-yiyi não tem rigorosamente data fixada porém não poderá ser feita após os três meses do nascimento. A proposta do Agbasa-Yiyi é apresentar a criança na “sala da vida”(agbasa) e aos ancestrais. É um rito da integração de uma ou de várias crianças da mesma geração dentro da comunidade familiar, incluindo os antepassados e os espíritos protetores da família. A consulta do Bokono revela o Joto da criança, em outras palavras, o Vodum ou o Mexo (antepassado; às vezes divinizado) O Joto é a referência de uma força protetora.É um elemento dinâmico que intervém na formação da personalidade do indivíduo. O Joto é a parte vital que anima a criança. Ele pode ser chamado de Sê-Joto ou Sê Mekokanto (SÊ-o que molda o corpo humano com a argila). É ele quem apresenta para o Deus criador o barro do qual foi modelado o corpo do recém chegado para a vida terrena(Gbe-Tome). Ele é a energia vital e espiritual que molda e conduz a existência da pessoa.
O Joto é o pai da vida para a existência o colaborador direto de Mawu na geração da criança. Uma vez que o JOTO é conhecido, diz-se a seguinte saudação“SÊ Doo Nú We” (seja bem-vindo, oh, SÊ!).Esta saudação de boas-vindas é feita pelo ritual do Jono Kpikpe (encontro, boas-vindas ao estranho, ao convidado) Em princípio a criança não recebe o nome de seu Joto, o nome será dado após esse(o Joto) ser consagrado e cultuado,quando então a criança usará este nome dentro da religião e fora dela. Se o indivíduo for chamado por um outro nome haverá severas penalidades. Apesar da terminologia ambígua do termo Joto, qualquer idéia de reencarnação está absolutamente descartada. A criança não é a reencarnação do seu Joto ancestral.
A religião Fon está convicta de que o SÊ é imortal.
Quando uma pessoa morre e vai para o Yêsùnyimê (mundo dos espíritos, mundo metafísico) o SÊ volta para Segbo (o grande SÊ, que é Deus) em outras palavras
para suas origens seu estado original. O papel do Joto é colocar suas mãos na cabeça do candidato à vida (alodotanumêto), e oconduzir na terra, ser sua sombra protetora. Não há reencarnação, mas uma transmissão de personalidade. A alma individual do Joto não se reencarna em seu protegido,mas transmite sua parte social e seu status. Uma prova disto é que muitas pessoas podem ter o mesmo Joto. O Sê Mekokanto (ancestral que reuniu o barro e modelou o corpo da criança recém-nascida) coloca na criança sua personalidade social, a que Ele se tornou através de seu processo histórico, o qual aquele personifica por toda a vida, e que é mantido pelo grupo que irá educar a criança recém-nascida. A personalidade social e a consciência histórica que o ancestral leva ao seu descendente constituem uma herança fisiológica que dá significado à sua vida e coincide com o que foi mencionado acima. O ancestral protetor vem para materializar o direito da segurança e manutenção da vida. Assim o Sê-Mekokanto assegura a continuidade da vida da família da qual ele foi um dos primeiros elos importantes. O Joto é às vezes ajudado em sua missão por um outro ancestral ou espírito divinizado, agindo como um Joto auxiliar ou companheiro do primeiro, uma realidade que é vista pelo FON como um valor inestimável. Para identificar o Joto, primeiro precisamos determinar o DÚ, que é o nome dado ao signo ou figura encontrada no sistema divinatório do FÁ. Existem vários signos que servem para revelar o Joto da pessoa. A partir de agora, o DÚ que foi revelado e o Joto constituem dois componentes inseparáveis do pessoal, social e destino religioso do indivíduo. Enquanto o Joto é a parte tipológica do indivíduo, o DÚ é a vontade de buscar e saudar a desejada terceira parte (SÊGBO).
Manifestado perto do Joto, o DÚ é a palavra do oráculo, a voz do ser supremo sobre cada pessoa. Como a voz do Sê,DÚ é também o caminho que Sê traça para o homem seguir. DÚ é a palavra de vida dada como uma medida de direção para quem acaba de entrar na terra da vida (gbêtomê) e dentro do mundo dos homens (gbêtolê mê) Ele traça o caminho a ser seguido em outras palavras, ele estabelece a lei (SU).
Até a criança atingir a idade da razão, é a mãe que respeita os mandamentos de seu DÚ. Em geral as mães tomam para elas a responsabilidade de seguir estes mandamentos para o resto de suas vidas. Sendo assim elas demonstram que a vida deve ser preservada e todos devem cooperar para que isso seja mantido.
AGOO-MA-YI-SOGWÉ é o estágio que denota o final da adolescência (por volta dos 20 anos). Neste período a segunda iniciação para FÁ acontece e é chamada de Fá-Sinsên(adoração a FÁ) ou Fá-Yiyi (recepção do FÁ). Neste período de suas vidas, rapazes e meninas estão geralmente vivendo uma crise de juventude. Diz-se que a juventude é“perturbada” por FÁ. O adolescente deverá “receber” e “adorar”FÁ em ato público religioso, lutando contra si mesmo pois deverá proferir o mais profundo“SIM” à vontade de DEUS (GBÊ) para que se tornem mais fortes. A consulta do FÁ revela o signo (DÚ) sob o qual os rapazes ou moças se apresentarão. Este será o DÚ (palavra do oráculo) dos adolescentes. Para cada um e com cada um,o Bokono(adivinhador)retira o adrá,em outras palavras ele oferece o sacrifício que tira os obstáculos dos caminhos,acidentes
e infortúnios(adrá).A eles é dado o FÁ e eles o recebem,é a palavra de Mawu- Gbêdoto(Deus) para cada um que definitivamente deixa a infância e entra para a vida adulta. A terceira iniciação para o FÁ é reservadasomente aos candidatos homens. Eles atingiram a fase adulta. É a porta, ainda que uma porta estreita para os segredos do sistema divinatório de FÁ, é chamada Fá-Titê(consulta do Fá) um rito através do qual o Fávi (filho de FÁ) recebe a revelação de todo seu destino. Desnecessário dizer, dado o caráter esotérico desta iniciação comparada às anteriores, que os não iniciados e as mulheres não são nem mesmo aceitos como espectadores.
A cerimônia acontece no Fázun (floresta de FÁ) Como um iniciado o candidato tem um Bokono responsável por ele. O Bokono pega com as mãos juntas as nozes sagradas, reza três vezes para Mawu-Gbêdoto (Deus Do Criador) pedindo que envie o Joto do Fávi ao lado de seu protegido. Assim, sob a proteção de seu Joto, o Fávi manipula o Fágbo (oráculo de Fá com 36 nozes) para extrair a figura parcial do DÚ (signo do oráculo) e conforme Fá vai respondendo os signos são traçados no solo. Uma vez que o signo é formado, o Jogbona (o assistente do Bokono na cerimônia) o lê em voz alta.
Após a leitura dos signos traçados no solo, o Jogbona junta a terra onde o DÚ foi
escrito e coloca em um saco de tecido. Isso constitui oKpoli do Fávi (sinal visível do princípio espiritual que está no homem, o visível sinal de SÊ) Após este, outra consulta é feita para assegurar que o sinal que saiu é para o bem do Fávi. Uma resposta positiva de FÁ é saudada com alegria e satisfação por todos. Para uma resposta negativa, será feita uma oferta de sacrifícios para tirar Ku (morte), Azon(doença), Hwê(culpa), Hen (pobreza, miséria).
Ao final deste sacrifício de exorcismo, o Fávi passará por um ritual de banho de água fresca. O cabelo do Fávi, unhas,e tudo que nele é presente impurezas, são enterrados na floresta sagrada.
Todos voltam para casa do Bokono, que é o pai espiritual do Fávi. Se o significado esotérico do sinal não for legível para todos os participantes da cerimônia, e por causa do FÁVI, depois que saem da Fázun (floresta sagrada) eles se reúnem na casa do Bokono onde os mais velhos dão as devidas explicações e no caso de dúvidas o Bokono se pronuncia.
Ao longo do período de iniciação, o sexo não é permitido ao Fávi, ele está num período de
clausura e num relacionamento especial com o sagrado. A abstinência sexual proporciona ao candidato a preservação de toda a sua energia vital, força Divina. A liberação do sexo acontece após o terceiro dia de seu retorno da Fázun.
Isso acontece após uma próxima consulta de FÁ para ter certeza que o DÚ do
Fávi veio para seu bem. Após esta consulta e a liberação do sexo o Bokono faz
recomendações para o Fávi. Isto é um tipo de tradição na constituição de seu novo estado. Deverá haver um sentido de irmandade entre os outros Fávi havendo também respeito ao pai espiritual, bem como para os outros Bokonos.
Finalmente o Fávi está vestido com suas roupas de tecido branco, então ele irá para casa com seu FÁ. Ele é um iniciado completo doravante sabe o significado da vida.

Caso copie o texto dê créditos ao blog:

 Sacerdotisa Andreia Camargo Entrelinhas ( http://www.andreiacamargo.wordpress.com )

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